Club Ibérico de Módulos H0

Encontro de primavera: Lisboa 2019

Texto: Juan Jesús Guillén / Fotos: CIMH0
Maquete e adaptação gráfica: Webmaster
Tradução para o Português: Natacha Santos

No último fim de semana do passado mês de abril, o pavilhão “Casal Vistoso”, acolheu o encontro de primavera do Club.

Há alguns anos, em outubro de 2003, foi o salão de modelismo “Expo Lisboa”. Nesse evento celebrou-se, possivelmente, o primeiro encontro de módulos na cidade do Tejo. Alguns dos que assistimos àquele evento organizado pelo CMM, voltámos a repetir 16 anos depois. Muitas coisas mudaram desde então.

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Ambiente de vapor na reserva de indústrias Tatona

Este foi o oitavo encontro organizado pelo CIMH0. Qualquer membro do club que queira organizar um encontro sabe das dificuldades que enfrenta, por parte das entidades públicas, para a cedência de um local municipal. Se é difícil fazê-lo numa cidade pequena, realizá-lo no centro de Lisboa é uma tarefa monstruosa que foi superada com êxito pelos organizadores do evento: Sérgio e Mário. Por isso, o resto do Club teria que estar à altura e acredito que assim foi.

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O canal de São Roque na zona de Aveiro

Para começar, a maquete de Lisboa 2019, bateu o record de longitude anterior, com 159,4 metros de módulos, triplicando a maquete de 2003. Para além de muitos metro de módulos de passagem, haviam oito estações, quatro apeadeiros, quatro bifurcações e sete ramais industriais.

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Estação de Martingança

Tudo isto foi gerido digitalmente. Apesar do comprimento e do grande número de estações e ramais, não houve nenhum problema e os comboios começaram a circular com fluidez desde a hora de abertura, na tarde de sexta-feira, de acordo com os horários previamente estabelecidos. No caso dos comboios de passageiros, o público podia consultar, em algumas estações, graças aos ecrãs indicadores e com som em português os horários das circulações.

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Detalhe do ecrã de Orduña onde se mostravam os horários

Também existiu tempo para manobras, algumas curiosas, como a que se realizava entre o Silo e o Puerto Nuevo. As manobras consistiam em carregar, com cereal (alpista), um comboio de tremonhas no Silo. Uma vez carregado, invertia-se a locomotiva e o comboio partia com destino ao Puerto Nuevo onde, com uns sistemas engenhosos, eram descarregadas nas barcaças. O único inconveniente era que, de vez em quando, uma das tremonhas deixada escapar alguma carga pelos módulos, algo que se está tratando de solucionar. Era muito interessante ver as manobras de carga e descarga.

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O Puero Nuevo recebia os comboios de cereais que vinham do Silo e eram descarregados nas barcaças

COMUNICAÇÕES: APP EXPERIMENTAL

A comunicação entre estações faz-se, tradicionalmente, mediante walki-talkies, mas dois companheiros do Club (Ivo e Ricardo) estão a trabalhar numa aplicação para tablets e/ou telemóveis que facilitará a comunicação e se assemelhará à realidade. Neste encontro, foi testada com sucesso, embora ainda haja muitas coisas para melhorar.

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Dinossauros!!

A MAQUETE

Era radial, ponto a ponto e com várias bifurcações, como pode ser visto no diagrama. Tomando com referência a estação de Orduña. Pelo lado Este saía um ramal de via única, com cerca de trinta metros, onde estavam: os ramais industriais Cerros Verdes, Pequeña Mina Mihtril, Sacor e Silo onde se carregavam as tremonhas da alpista. De seguida estavam a estação de Cotos e as Indústrias Tatona.

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Plano da maquete que montámos em Lisboa

No lado Oeste de Orduña, uma longa série de módulos de via dupla começava com o apeadeiro Altos Hornos. Estes módulos foram novidade em Lisboa e reproduzem o ambiente de uma zona industrial. Têm a particularidade de que a linha está elevada acima do nível do solo por uma estrutura de treliça. Além disso, a decoração e os acessórios foram construídos quase inteiramente com impressão 3D.

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Apeadeiro Altos Hornos que reproduz uma zona industrial

Depois de passar o imponente viaduto de Pangua (o real encontra-se nas proximidades de Parcorbo) chegava-se ao Porto Desembarque que servia para regular as circulações. Várias dezenas de metros mais há frente e depois da curva de 180 graus Poblado Chabolista, encontrava-se a primeira bifurcação: Corga Longa. Do seu lado de via única saía um ramal que terminava na estação Ameixial.

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Imponente viaduto de Pangua, nas proximidades do desfiladeiro de Pancorbo

A outra bifurcação, deste ramal, não se utilizou como tal, em Lisboa. Pelo lado de via dupla de Corga Longa e depois de uma secessão de elegantes curvas e contracurvas com mais de um metro de raio, encontrávamos a segunda bifurcação: Alcabrichel onde terminava a via dupla e saiam dois ramais de via única: por um lado até às estações de Bouro e Óbidos (estação terminal deste ramal). Do outro saía-se até Martingança, a terceira bifurcação, que na realidade é uma estação de via única na Linha do Oeste, mas tem uma saída para um ramal de via dupla para uma zona industrial. Os módulos reproduzem todos estes detalhes com um elevado pormenor, apesar da juventude do seu autor (Ivo). O lado da via única terminava no Puerto Nuevo que era onde descarregavam as tremonhas, depois de percorridos mais de cem metros de maquete.

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Estação de Pinhão com os seus azulejos típicos de quase todas as estações portuguesas

O lado de via dupla continuava e, no seu trajeto, encontrava-se outro conjunto de módulos novos, a estação do Pinhão, reproduzida com todos os seus detalhes, como é o caso dos típicos azulejos portugueses. O final deste ramal estava ocupado por uma grade praia de vias sem decoração e um interessante módulo em fase de decoração que reproduz um porto de Aveiro, o Canal de São Roque. Entre tantas estações e apeadeiros contámos com muitos metros de módulos de passagem interessantes, como seja o caso de Galápagos ou Dinosaurios entre outros.

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Quase todos os elementos de Apeadero Altos Hornos foram reproduzidos com técnicas de impressão 3D

HOMENAGEM

Recentemente deixou-nos um companheiro, António Espada, que durante muitos anos nos acompanhou no Club de Módulos Maquetren e apesar de não ter chegado a participar em nenhum encontro do CIMH0, os seus amigos, na realidade todos nós, quisemos fazer-lhe uma homenagem. Para isso, foi decorado um contentor com a fotografia do último encontro em que participou: Santarém 2015. Na fotografia a preto e branco, destacava-se a sua pessoa a cor. Este contentor circulou pelos quase 160 metros de maquete ladeado por duas locomotivas da série 307. A Valenciana da Renfe e a sua irmã gémea portuguesa, a 1200 Flausina da CP… Até sempre amigo.

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Homenagem a Antonio Espada

OUTRAS MAQUETES, LOJAS E ARTESÃOS

O encontro deste ano tinha coincidências com o da Expo Lisboa 2003. A participação de outras maquetes, como a de H0 em via Marklin, da Fermodel, a fantástica maquete de David Nobre e dos seus amigos que reproduz fielmente a estação de Luzianes ou uma secção da Linha do Alentejo, a maquete compacta Valdecrins ou, em escala N, uma pequena, mas muito bem cuidade, maquete que mostrava um canto do Japão.

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Os pintores apressam-se para deixar pronta a capela para a próxima romaria

Também estiveram presentes os stands da Marklin, Modelismo Artesanal, Comboioeléctricos, MAquetren e Sudexpress entre outros, assim como as lojas que normalmente estão presentes nos mercados e que sempre oferecem um bónus aos encontros.

EPÍLOGO

O êxito deste encontro deixa-nos muito orgulhosos do nível que estamos a alcançar como Club Ibérico na difusão deste bonito hobbie em ambos países. Temos muitos projetos a caminho, incluindo um grande encontro que promete voltar a bater, por muito, o record de longitude, mas essa será outra história.

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